O Partido Social Democrata (PSD) de Paços de Ferreira votou contra o Orçamento Municipal para 2026, tendo formalizado a sua posição através de uma declaração de voto entregue ao presidente da Câmara Municipal e posteriormente tornada pública. Em paralelo, a estrutura concelhia do PSD apresentou um documento autónomo com um conjunto de propostas para o próximo exercício orçamental, que, segundo o partido, não foram acolhidas pelo executivo municipal.
Em comunicado enviado às redações, o PSD afirma que a decisão foi tomada após uma análise “com total sentido de responsabilidade institucional”, sublinhando, no entanto, que o orçamento apresentado “não responde aos desafios estruturais do concelho nem projeta um futuro de crescimento sustentável para Paços de Ferreira”.
Maior orçamento de sempre sem visão transformadora
De acordo com a declaração de voto dos vereadores social-democratas, o Orçamento Municipal para 2026, estimado em cerca de 88,5 milhões de euros, é o maior alguma vez apresentado no concelho. Contudo, o PSD considera que este aumento resulta sobretudo do crescimento da despesa, do recurso a financiamento externo e do alargamento da intervenção direta do Município, não refletindo uma mudança estrutural nem uma visão transformadora para o desenvolvimento local.
O partido critica ainda o que considera ser a consolidação de um modelo de governação centralizado, em que a Câmara Municipal assume a execução direta das políticas públicas, diminuindo o papel das freguesias, associações, instituições e do setor privado. Para o PSD, este modelo “faz crescer a Câmara, mas não faz crescer o concelho”.
Preocupações com desenvolvimento económico e sustentabilidade financeira
Entre os principais pontos críticos destacados estão a ausência de uma estratégia ativa de desenvolvimento económico, a falta de instrumentos de apoio ao investimento e a inexistência de um Plano Diretor Municipal atualizado. Segundo o PSD, esta situação compromete a previsibilidade e a confiança necessárias para atrair investimento, promover a instalação de empresas e criar emprego no concelho.
A declaração de voto alerta igualmente para os impactos futuros do aumento da despesa corrente e do endividamento, salientando que estas opções poderão gerar encargos significativos nos próximos anos, tanto ao nível do serviço da dívida como da manutenção dos equipamentos previstos, limitando a margem de decisão dos futuros executivos municipais.
Propostas do PSD ficaram de fora do orçamento
Apesar do voto contra, o PSD apresentou um documento com propostas para o exercício de 2026, abrangendo áreas como desenvolvimento económico, ação social, juventude, desporto, cultura, ambiente, comércio local, turismo, governação e apoio às freguesias. Entre as medidas defendidas estão a revisão urgente do Plano Diretor Municipal, a criação de uma agência municipal de desenvolvimento económico, programas de apoio ao empreendedorismo, o reforço das respostas sociais de proximidade e uma maior descentralização de competências e recursos para as juntas de freguesia.
Segundo o partido, estas propostas tinham como objetivo “melhorar o Orçamento Municipal de 2026”, mas não foram consideradas pelo executivo socialista durante o processo de discussão orçamental.
Oposição responsável e construtiva
Na nota final da documentação apresentada, o PSD reafirma o seu compromisso enquanto “oposição responsável, construtiva e exigente”, sublinhando que a sua posição não resulta de qualquer cálculo político, mas de uma convicção clara quanto ao modelo de desenvolvimento que considera mais adequado para Paços de Ferreira. O partido defende uma estratégia baseada na valorização da iniciativa privada e comunitária, na descentralização efetiva de responsabilidades e numa gestão prudente e sustentável dos recursos públicos.