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"Senso comum" e danos estruturais: Engenheira da Proteção Civil explica inabitabilidade do prédio em Paços de Ferreira

O regresso a casa das 111 pessoas desalojadas após o incêndio em Paços de Ferreira está dependente de peritagens...

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Rute Freitas, engenheira civil do Serviço Municipal de Proteção Civil, desmistifica os procedimentos técnicos que ditam o encerramento do edifício, sublinhando que a segurança e a falta de serviços básicos tornam a habitabilidade impossível.

Após o incêndio que deflagrou na garagem de um prédio na Rua da Nova Urbanização do Sistelo, destruindo 32 viaturas e afetando a estrutura do imóvel, a prioridade das autoridades centrou-se na avaliação de riscos imediatos.

Segundo Rute Freitas, engenheira civil da Proteção Civil de Paços de Ferreira, a função técnica nestes cenários é clara: "Prever a possibilidade de haver algum colapso de alguma parte da estrutura, alguma avaria mais ou menos grave que possa prejudicar quer a estrutura, quer as pessoas".

Neste caso específico, as perícias iniciais detetaram danos consideráveis. "Como há danos estruturais, tanto nas lajes como nos muros de suporte laterais, e também num pilar, achámos por bem impedir a frequência do prédio por pessoas", explica a engenheira. Dados recolhidos apontam para que a laje da garagem tenha cedido cerca de cinco centímetros devido às altas temperaturas.

Acesso restrito e apoio aos moradores

A gravidade da situação levou a administração do condomínio a restringir o acesso ao edifício. Desde a noite do incêndio, os moradores apenas foram autorizados a entrar "por breves instantes" para recolher bens essenciais.

Entretanto, decorreu esta sexta-feira uma reunião com a Câmara Municipal de Paços de Ferreira para encontrar soluções de alojamento temporário, uma vez que as 111 pessoas (na sua maioria acolhidas por familiares e 30 numa unidade hoteleira) não poderão regressar a casa nos próximos tempos.

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A garagem como fator de risco agravado

A localização do incêndio foi determinante para a severidade dos danos. Rute Freitas esclarece que a carga térmica numa garagem é muito superior à de um apartamento: "O problema aqui é da garagem, sem dúvida nenhuma (...). O que provocou a ignição, ou a origem do grande incêndio, foram carros. Pela quantidade de massa incendiável, [este tipo de incêndios] acontece nas garagens".

"Senso comum" dita inabitabilidade

Apesar de a estabilidade física dos apartamentos nos andares superiores poder não estar comprometida de imediato, o edifício permanece encerrado por questões de salubridade.

"O problema é que não tem condições mínimas de habitabilidade", afirma Rute Freitas. O incêndio destruiu as infraestruturas de saneamento, abastecimento de água e eletricidade. "A partir do momento em que não temos saneamento, nem água, nem luz, as pessoas não podem ficar aqui. É de senso comum, basicamente, que não é possível".
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O papel da GNR e a questão dos seguros

Para além da engenharia, a operação envolve uma "sinergia" entre várias entidades. Rute Freitas destaca a importância do trabalho da GNR na elaboração do croqui com a posição das viaturas queimadas. "Porquê que ela tem de fazer isso? Porque, conjugando com a informação da PJ, vai-se saber o local onde foi a ignição", explica.

Este pormenor é essencial para acionar os seguros: "A ignição de um incêndio é um ponto essencial para a atribuição de "culpas". O seguro daquele carro, se for o caso disso, que provocou a ignição é que vai ter de ressarcir o resto das pessoas".
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Próximos passos

Agora, será necessário realizar um escoramento da estrutura para permitir que técnicos especialistas da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto (FEUP) realizem testes de resistência. Tal como refere a engenheira, o tempo das perícias varia "mediante a extensão e intensidade da ignição". Por agora, o edifício continua sem data para reabertura.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Font: www.averdade.com

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